Sinopse: Em uma releitura do conceito de Esquizografia do psicanalista Jacques Lacan, apostei/aposto nas Esquizografias a partir da bricolagem dos trechos Esquizo (do grego σχίζειν, schizo) que diz de divisão, fissura, ruptura + Grafia (do grego γραφία, gráphein) escrita. Afirmo, ao mesmo tempo, uma escrita que produz fissuras, rupturas para a in-surgir outra(s) vida(s) e uma fissura na escrita fechada, rígida, endurecida nas regras, na métrica, nas normas. Este livro é uma coletânea de esquizografias sobre temáticas que encruzilham vidas, arte, clínica, política, subjetividade, opressões em uma retomada e reescrita de textos que produzi de 2015 aos dias atuais. Os textos foram escolhidos a partir de uma proposta de contemplar multiplicidades e refletem diferentes percursos, estilos de escrita e temáticas. O desejo é de que cada corpo-leitor possa sair diferente, possa experimentar um outramento ao degustar estas leituras.

 

Leia um poema:

 

Me perdoa o caos

Não há como se calar com tanta dor calada

Prefiro ser onda forte a ser água parada

Não suporto me sujeitar ao engessado status quo

Nem acredito no "com o tempo tudo fica melhor"

 

Me perdoa o caos

Não sou de engolir verdades absolutas

Às vezes, vejo malícia na santa e santidade na puta

Prefiro a luta a aceitar, a contragosto, tanta opressão

E sei que existem "sim's" fantasiados de "não's"

 

Não sou de repetir o "é assim mesmo, nunca mudará"

E enquanto houver um fio de possibilidade, algo em mim perseverará

E ainda que venham me dizer que andorinha só não faz verão

Sozinho, eu já sou um milhão

 

O silêncio do mesmo me incomoda

O barulho da diferença é insuportável a quem se acomoda

Eu não me contento com a calmaria da VERDADE

Existir se afirma em mim como pura tempestade

Amanhã mesmo estas palavras podem ser descartadas

Prefiro caosmosear-me todos os dias a ser um eu-státua...

Me perdoa o caos!

Re-pensando bem

O caos não deve perdão

Esquizografias

SKU: ESQ2022
R$ 45,00Preço
  • Homem negro, baiano-nordestino-brasileiro-amefricano de Feira de Santana, filho de Dona Genir, Pai de Bento, músico percussionista, contador e ouvidor de causos. Apaixonado por Poesia do repente ao slam, do rap nacional ao samba, experimento a escritas como modo de ex-pressão desde a adolescência e tenho na poesia o antídoto para o esgotamento da vida. A inspiração para a escrita vem dos encontros que experimento e dos que quero proporcionar a quem me lê. Minha trajetória acadêmica articula Arte, Psicologia e Filosofia, psicólogo de formação, com pós-graduações em Filosofia Contemporânea e em Direitos Humanos e Contemporaneidade, pesquisador sobre Clínica e Subjetividade Contemporânea a partir da Esquizoanálise, faço das minhas inquietações um motor de produção, por meio da Arte e da Clínica, de novos possíveis.  

  • Livro de poesias, com sobre-capa em Clear Plus 180 g/m²  (tipo papel vegetal)

    Dimensão: 14x21 cm

    90 páginas.

    * imagem ilustrativa